por: Carolina Dantas

   

Tem sido um longo ano longe dela. Como se estivéssemos sendo testados. Mas não a culpo por isso, na verdade, não culpo ninguém por ter sido idiota o suficiente pra cometer um erro tão estúpido e não ter dado o valor que ela merecia. E espero, realmente, que ela esteja com alguém melhor do que eu poderia ter sido.
Agora finalmente entendo minha música favorita, alias, ela se encaixa perfeitamente na minha situação no momento. “Você não sabe o que tem até perder.” 

Hoje terei a oportunidade perfeita para concertar ou, pelo menos, explicar as coisas. Tentar fazer do jeito certo e quem sabe consegui-la de volta. Contudo, existe um pequeno grande detalhe, que por sinal se encontra sentada ao meu lado no banco do passageiro. Minha noiva. Por algum motivo ainda desconhecido por mim, a pedi em casamento. E até hoje não entendo porque o fiz, quero dizer, não sou o tipo de cara que gosta de ficar amarrado a apenas uma pessoa para o resto da vida,a menos que essa pessoa seja aquela que me completaria,seria minha cúmplice, aquela que me acomodaria, me daria carinho e prazer em uma relação de companheirismo. E Ângela não se encaixa, realmente, em nenhuma dessas categorias, inclusive prazer.

No momento estou dentro do carro, indo à casa de campo da minha família, passar a virada do ano com eles, alguns amigos e o ser que, em breve, darei meu nome. Ângela fala comigo durante todo o tempo,mas não consigo entender uma palavra sequer sua.
Fico apenas pensando no sorriso dela,no quanto ela pode estar mudada – mais bonita com toda certeza – mas que aquele sorriso estaria igual àquele que tenho guardado em minha mente. Ela. Minha melhor amiga, a mulher que a algum tempo vem tomando conta dos meus pensamentos, aquela que os atormenta,aquela que desejo tanto que poderia se materializar aqui ao meu lado a qualquer momento.

A viagem foi, de longe, mais longa do que eu me recordava. Minha noiva não sabia fazer outra coisa a não ser reclamar, por inúmeros motivos diferentes, que iam da demora da viagem ás tradições da família, nunca pensei que ela fosse tão criativa. Ela resmungava sobre o quanto isso seria chato, como todos iriam dormir cedo e que ela começaria o ano de mau humor, entre outras diversas coisas. Não agüentava mais, eu apertava o volante com tamanha força, que meus tendões chegaram a ficar brancos e deixaria qualquer um assustado, tudo para não descontar nela, ou começar uma discussão que no momento era tudo que eu menos queria. Foi por esse e outros motivos que agradeci mentalmente assim que abri a porta do carro e saí do mesmo.
Fechei a porta com tanta força, devido meu mau humor, que quase fez com que a porta do outro lado se abrisse. Dei a volta no carro para pegar nossas bagagens, as tirei com certa raiva e saí caminhando em direção a porta de entrada da casa, nem esperei para que Ângela pudesse me acompanhar.
Porém todo esse sentimento de raiva passou, assim que pus meus olhos na decoração da casa. É incrível como minha família não muda, tradicional como sempre foi.
Aquela casa, com sua aparência aconchegante de sempre, toda iluminada, com algumas lanternas de jardins pela entrada e todos convidados de branco, fez com que eu me lembrasse que estávamos em minha data festiva preferida, e nada melhor do que relaxar para aproveitar.

- Sinceramente não sei o porquê de usar branco no ano novo – Ângela veio reclamando longo atrás de mim – Tem tantas outras cores mais bonitas que o branco e com o significado tão bom quanto. Por que só ele? Argh,eu já disse que odeio tradições?É tão antiquando,tão last year
- Pois eu adoro,sou totalmente conservador e cresci com todas essas tradições, por isso vá se acostumando – falei calmamente pra ver se esta não fugia de mim,parando em frente a porta de entrada – E se divirta,estamos aqui pra isso ok? – disse me virando pra ela – Eles gostam tanto de você – “ uma mentirinha de vez em quando não faz mal “ pensei – Portanto não fique reclamando ou falando mal deles pelas costas,é a minha família – disse e alisei seu cabelo – E em breve será a sua também – me doeu dizer isso mas é a verdade.
Dei-lhe um selinho, fazendo-a ficar radiante, com um sorriso que poderia dar um nó atrás de sua cabeça. É nessas horas que penso em esquecer a e ficar com Ângela, após esse maldito pensamento, toquei a campainha.
Um tempo depois a porta se abriu e um ser, até então não identificado, se atirou em cima de mim e, a julgar pelo aperto do abraço, deduzir ser minha prima
- Maya,você irá me matar desse jeito
- que saudade – disse ela me soltando – Desde que você começou a namorar essa daí – olhou com desdém para Ângela ao meu lado – Nunca mais te vi
- Olha aqui garota – Ângela já iria começar a dar seus ataques,e sinceramente não estava a fim de ter que agüentar isso agora, e depois seu mau humor pelo resto da noite.
Abracei as duas pelo pescoço, com a intenção de fazerem-nas parar e evitar uma possível luta livre que poderia vir a acontecer se não interferisse.
- Como é lindo ver duas das mulheres mais importantes da minha vida se dando tão bem – disse com a voz carregada de ironia.
Assim que me certifiquei de que nada mais que serio que uma possível troca de insultos aconteceria, as soltei e entramos em seguida.Deixei as malas no
Hall de entrada , que estava relativamente cheio, assim que adentramos a casa percebi o porquê do hall estar daquele jeito, ela estava repleta de pessoas, rostos conhecidos ,outros nem tanto assim, alguns pelos quais possuo um enorme carinho e outros não fazia idéia do porquê de estarem aqui,mas enfim, família e suas grandes recepções. Cumprimentei aqueles mais próximos e isso incluía muita gente, recebendo congratulações de alguns, o que estava me deixando realmente estressado e arrependido cada vez mais de minha decisão, e também por ser educado e não mandá-los para aquele lugarzinho especial e deixaria o clima festivo nada agradável. Até que desisti de cumprimentar a todos, pois acho que não seria capaz de ouvir mais um ”Parabéns” e ficar calado, e fui me sentar na sala e ficar conversando com alguns velhos e bons amigos.

- Amor! Irei pegar alguma bebida pra gente ok? – falei já me levantando,se um dos meus amigos fizesse mais uma piadinha sobre eu estar finalmente me amarrando,acho que arrancarei a cabeça de um deles fora, assim, os outros ficariam com medo e não falariam mais nada.
Nem esperei ela me responder e já havia saído.
Quase soltei um ‘Amem’ assim que me vi sozinho no bar, sozinho com exceção do Barman, e sim, havia um Barman, já que o bar sozinho não bastaria para tamanho numero de convidados. Pedi um drink qualquer, não estava tão interessado assim no que iria beber e sim em ficar sozinho, espairecer um pouco.
Estava lá, tranqüilo, sem um pensamento passando por minha mente, apenas bebericando meu drink , quando escuto alguém me chamar
- ? – uma doce e ao mesmo tempo sexy voz me chamar, e com um certo tom de duvida, a única voz que me fazia arrepiar – É você?
Me virei ,provavelmente com a maior cara de retardado que eu poderia ter feito, e para minha não surpresa ela estava linda ,exatamente como imaginei que estaria, com um lindo
vestido branco e aquele sorriso, que no momento era direcionado apenas a mim e isso me fez brilhar por dentro.
- Wow – exclamei assim que a examinei por inteiro – Você está linda – ela sorriu completamente sem graça,assim como imaginei que faria
- Obrigada, e... – ela parou de falar me analisando – posso dizer o mesmo de você
- Fico feliz por estar aqui – eu disse e ela riu não me pergunte o por quê
- ,passo as datas comemorativas com a Família desde que eu me lembre.Eu é que estou impressionada e surpresa por você estar aqui
- São minha família, nada mais certo do que estar nestas datas com eles não?
- Bom, mas ultimamente você não tem aparecido, nem nas datas mais importes você apareceu, como no aniversario da sua mãe
- Ângela não estava se sentindo bem aquele dia, eu a avisei aquele dia e acabei recompensando depois
- Ainda estou esperando pela minha ligação – disse ela baixo,para que talvez eu não a ouvisse, mas sua feição triste obteve resultado contrario.Acabei ouvindo o que ela havia dito e isso acabou me cortando por dentro. Uma vontade imensa de te abraçar e dizer que no final tudo acabaria bem, porem não poderia fazer isso sem arcar com as possíveis conseqüências depois.
- Tenho que ir meu amor – após as recentes descobertas foi estranho e doloroso chamá-la como sempre – Deixei Ângela esperando. Conversamos melhor depois – precisamos conversar melhor depois, obviamente não disse isso, apesar da enorme vontade.
Não podia ficar ali mais um minuto, alem de não ser certo, não estava me fazendo bem e poderia acabar fazendo algo que poderia – ou não – me arrependendo no dia seguinte. E pela pressa de sair ,acabei esquecendo de pegar as bebidas ,por isso durante o caminho fui pensando em uma desculpa a prova de falhas para evitar um possível e irritante interrogatório.

Não demorou muito para que a comida fosse servida, e o ambiente não poderia estar mais agradável. Demorei um pouco para me servir, todos pareciam estar prestes a morrer de fome então, educadamente, esperei que a maioria se servisse para que depois eu fizesse o mesmo.
 Céus, como eu sentia saudades dessa comida. Você pode contratar um dos melhores cozinheiros do país – como eu faço – contudo nada se compara a comida que sua mãe faz.
 - Mamãe, sua comida estava simplesmente incrível. Quanto tempo que eu não comia dela, a senhora não faz idéia do quanto eu sentia falta de tudo isso
 - Você também não faz idéia. Já terminou querido? – ela perguntou e eu apenas assenti, com a boca cheia demais para emitir algum som – Vamos lá pra fora com o resto dos convidados
 A sala de jantar já estava vazia, exceto por minha mãe e eu, p restante estavam todos no jardim conversando, rindo, bebendo, todos extremamente animados e ansiosos pela virada.
 Uma das melhores partes da casa é, sem duvida,
o jardim. Além de vasto, temos todos os anos, uma vista perfeita e privilegiada dos fogos do condomínio. O que acabada tornando essa data ainda mais especial. Quero dizer, ano novo, vida nova – em teoria – todos os votos, promessas e desejos de algo novo e melhor virá a acontecer. Um sentimento realmente bom, de que, por maior que seja a burrada que você tenha feito tudo pode se ajeitar – ou ficar ainda pior – mas não quero pensar nisso.
 Mamãe estava conversando com algumas velhas amigas, enquanto eu estava ao seu lado sendo exibido como um grande e brilhoso troféu, a única coisa que faltava era uma dessas senhoras começarem apertar minha bochecha e dizer “como você cresceu, já é um homem. E eu que vi você este tamanhinho” é nessas horas que odeio ser o filho único.
 Entre um pensamento e outro avistei quem eu mais queria. . E sinceramente não sabia o que faria. Se ficaria aqui com minha mãe, se iria conversar com ou se iria para o quarto fazer campainha para Ângela – que dizia estar passando mal. HÁ. Esse ultimo pensamento me fez rir, não iria passar meus últimos momentos do ano com ela reclamando de dores inexistentes, portanto ultima opção descartada. Assim que a descartei, minha mãe me disse algo que me ajudou a descartar mais outra.
 - Pode ir lá – disse ela após ver para onde eu estava olhando – Sei que vocês precisam conversar. Além do mais, quantas viradas você já passou comigo?
 - Varias
 - Então... Pode ir
 - Obrigado – disse a abraçando – Feliz ano novo – falei assim que saí do abraço
 

Fui até a cozinha pegar algumas coisas que poderiam vir a me ajudar e serem úteis mais tarde, e fui em direção ao canto mais afastado do jardim.
- Posso fazer companhia a essa bela moça tão solitária? – perguntei assim que me aproximei. Ela se virou um pouco assustada e lhe mostrei as taças e a garrafa de champagne que trazia, sorrindo
- Sempre – sorriu
- Trouxe pra gente – me referi as taças e garrafa – Para brindarmos na virada – falei colocando-as no chão ao lado da
espreguiçadeira onde estávamos sentado
- Hm espertinho – disse ela rindo
- Sempre – imitei suas palavras de instantes atrás
Engatamos em uma conversa como a anos não fazíamos, literalmente. Era fantástico ter ela ao meu lado depois de tanto tempo, nem que seja para uma simples conversa amiga – o que era raro ultimamente, já que até as conversas com Ângela tinha sempre um pedido por trás delas, bolsas,sapatos e vestidos novos estão inclusos na lista de pedidos. Então era extremamente bom quando alguém vinha conversar comigo apenas para saber se eu estava bem ou apenas para jogar conversa fora mesmo.

(n.a: sugiro que você coloque a musica para carregar e escute assim que ela começar e toda vez que aparecer)

Faltavam poucos minutos para a virada,muitos já haviam aberto suas garrafas,outros elas já haviam estourado sozinhas. Eu estava apenas esperando o momento certo

- Olha – comecei – Me desculpa – finalmente achei a oportunidade que tanto esperei – Não queria ter causado tantos problemas na sua vida,nunca foi e nem será minha intenção te fazer sofrer
- Você não precisa se desculpar
- Preciso sim, estraguei nossa amizade,te machuquei e acabei pagando por isso
- Desculpas aceitas ,mas me prometa que não tocará nesse assunto de novo ok? – disse sorrindo,apesar de saber que era apenas uma mascara,que esse assunto a deixava tão triste quanto eu
- Tudo bem – respondi

It's been quite a long year
Tem sido um ano muito longo
Like we're being tested        
Como estamos sendo testados
To face all our fears
 
Para enfrentar todos os nossos medos

- Tem sido um longo ano sem você sempre aqui – ela disse
- É... – concordei – É como se estivéssemos sendo testados a encarar todos nossos medos
- Uhum

15,14,13,12,11...

Ficamos tanto tempo conversando que nem percebemos as horas, quando dei por mim,já estavam fazendo a contagem.
- Rápido , abre a champagne – ela ordenou, peguei rapidamente a garrafa

...10,9,8,7...

Comecei a chacoalhá-la o mais forte possível para que ela pudesse estourar com êxito.

...6,5,4...


Preparei-me para estourá-la no tempo exato,enquanto isso continuava a agitá-la com força
...3,2,1

Finalmente a estourei,com um pouco de dificuldade, porem perfeitamente. Derramei um pouco em meu suéter, voou outro bocado em seu
vestido, nos fazendo rir. Enchi as taças, enquanto os fogos iluminavam o céu em uma explosão de cores, o que tornava tudo ainda mais especial e quem sabe inesquecível.
- À ano melhor,sem brigas e com mais presença – interrompeu meus pensamentos, levantando sua taça sorrindo, propondo um brinde. Sorri de volta e acompanhei seu gesto
- A nós – falei serio, encarando seus olhos com tamanha intensidade que fez com que ela sorrira sem graça. E então brindamos, e em seguida sentamos novamente na espreguiçadeira para voltarmos à conversa.

Finally your mind will get some rest           
Finalmente sua mente vai descansar
And you'll feel much better  
E você vai se sentir muito melhor
When you're laying on my chest     
Quando você está repousando em meu peito
I'll keep you right by my side          
Eu vou manter você do meu lado
I feel you breathing  
Eu sinto você respirar
Close your tired eyes           
Feche os seus olhos cansados

- Finalmente sua mente irá descansar – ela voltou a falar se referindo a todo o remorso que eu sentia – Agora você se sentirá muito melhor, você vai ver
- Só quando você estiver repousando em meu peito.
Vi seus olhos molharem, seu rosto já começava a ficar corado. Um sinal de que as lagrimas estavam por vir. Então ela me abraçou forte, e repousou em meu peito, assim como havia dito.
- Como nos velhos tempos... – sussurrei contra seus cabelos – Irei sempre manter você ao meu lado
- Sinto você respirar... Como nos velhos tempos – ela me imitou

Não sei dizer ao certo o que aconteceu depois, ou quantas garrafas nós bebemos, mas quando dei por mim estava prensando contra a porta de seu quarto – já que o meu estava ocupado. Pensar nisso me fez querer parar tudo e me afastar dela, afinal, minha futura esposa está no quarto ao lado e eu aqui aos amassos em pleno corredor com minha amiga e mulher pelo qual estou apaixonado. Completamente errado. Isso porque eu não aceito traição. HÁ HÁ. O ser humano pode ser mais hipócrita do que ele pensa.
Quando finalmente consegui abrir a porta – o que exigiu certa criatividade de minha parte – senti mãos macias passear por todo meu abdome e me puxar pela
gola do suéter quarto adentro e foi sua vez de me prensar sobre a porta assim que esta foi fechada. Pelo menos, agora, corríamos menos perigo de ser pegos, do que quando estávamos do lado de fora do quarto.
Pelo jeito eu não era o único que esperava por esse momento. Seus lábios procuravam pelos meus com tamanha urgência – até maior que a minha eu diria – que provavelmente já deveriam ter passado de vermelhos para o roxo. Estreitei meus braços em volta de sua cintura, nos aproximando ainda mais, dificultando um pouco o movimento de seus braços, cujo as mãos ainda seguravam fortemente minha gola. Voltei minha atenção ao seu pescoço, precisávamos um pouco de ar. Fui descendo meus beijos pelo seu pescoço e ombros, enquanto minhas mãos iam em direção ao zíper, assim que abri soltei sua cintura e ela se afastou, fazendo seu vestido branco escorregar pelo seu corpo revelando, para minha surpresa, sua quase nudez. Seus seios perfeitamente delineados.Examinei todo seu corpo. Olhei dos pés aos olhos. A luxuria e o desejo flamejavam em meu olhar e se refletiam em seu, nada inocente, sorriso.
Tirei meu suéter e joguei em qualquer canto no chão e voltei a beijá-la com fervor. Minhas mãos foram inconscientemente parar em seus seios, enquanto as suas abriam lentamente os botões da minha camisa, passando as unhas levemente por meu abdome enquanto o fazia. Me fazia arrepiar e sentir coisa que jamais sentira. Coisas que só podia e, estranhamente, só queria sentir com ela. Assim que minha camisa fez companhia para o resto das peças, ela desmanchou o nó da minha gravata e assim que o fez, sem tira-la do meu pescoço, foi me puxando em direção a cama, quebrando o beijo, porem o contato visual intenso continuava intacto. Um olhar extremamente sexy e repleto de cobiça
... que só conseguiu me deixar ainda mais excitado e com mais vontade de possuir e vê-la gritando meu nome. Ela caiu na cama e me puxou junto pela gravata, minhas mãos agora passeavam por suas coxas e as suas iam de encontro aos meus cabelos da nuca, que foram puxados bruscamente assim que minhas mãos foram de encontro a sua intimidade. Comei a acariciá-la por cima de seu traje intimo ouvindo meu nome entre gemidos em troca.
Minhas calças estavam completamente inúteis e incômodas. Ficavam mais apertadas a cada momento e não ajudava nem um pouco gemendo e respirando pesadamente em meu ouvido e pescoço.
- Tira logo... essas ..cal..calças - ela disse, com certa dificuldade devido a respiração acelerada, após tentar, sem sucesso devido a falta de concentração, desabotoá-las
Me levantei e tirei as calças juntamente com a boxer. Assim que o fiz, me aproximei dela lentamente e tirei sua única e ultima peça de roupa restante e joguei exatamente onde eu queria que nossas roupas estivesse assim que pus meus olhos nela hoje: no chão.
- Camis.. - perguntei intercalando beijos em seu pescoço e colo - Camisinha? - perguntei voltando a beijar seus lábios com vigor. Pude ver uma de suas mãos indo em direção a gaveta superior e tirar de lá o tão esperado pacotinho. Não podia e não queria esperar mais.
Ela abriu e colocou a camisinha calma e sensualmente, algo que teria achado extremamente sexy e excitante se não estivesse em ponto de bala, e minha vontade de possuí-la e ser o causador de seus mais altos gritos de prazer não fosse desesperadoramente grande. Assim que terminou de colocar, a puxei pela pernas pra mais perto, fazendo-a abrir as mesmas e facilitando para que eu pudesse me encaixar e então a penetrei. Senti ela soltar todo o ar de seus pulmões pesadamente. Beijei seus lábios e investi mais uma vez. O beijo foi tomando um rítimo acelerado, acompanhando meus movimentos. Os sons que saiam de sua boca, vinham do fundo da garganta. E passaram de simples gemidos à gritos que poderiam acordar toda a casa, mas que eu realmente não importaria.
Minhas investidas aconteciam com mais força e freqüência e ouvi-la pedindo mais e mais rápido não ajudava em nada para o controle da minha sanidade mental.
Nossos corpos já se encontravam suados e pareciam querer se fundir. Sua boca, entreaberta por onde o ar entrava e sai pesadamente. Seu corpo pedindo mais e mais, me fazendo deduzir que seu máximo estava por vir. Mais uma estocada e eu atingi o meu máximo, soltando todo o ar contido em meus pulmões, mas não pararia até que fizesse ela chegar ao ápice e um ultimo gemido escapasse por entre seus lábios. Investia fortemente enquanto massageava seu clitóris, seus pedidos de mais aumentavam a cada segundo, gemidos e mais gemidos saiam de sua boca. Até que senti seu corpo todo contrair e um grito escapar de sua garganta.

Goodnight my love    
Boa noite meu amor
I feel you drifting    
Eu sinto você deslizando
Goodbye my best friend       
Adeus, meu melhor amiga
This ain't no kind of living     
Isto não modo de viver
Goodnight my love    
Boa noite meu amor
And I'll hold you one more time      
E eu vou te abraçar mais uma vez
Until tomorrow         
Até amanhã


Deitei cansado com ela repousando sobre meu peito, em silencio. Não sabia exatamente o que falar, ou se o que acabara de acontecer era certo ou até mesmo real. Contudo, sabia que se eu abrisse a porra da minha boca agora acabaria estragando tudo, como de praxe.
- – ela quebrou o silencio, como se, de alguma forma, pudesse ler meus pensamentos. Virei meu rosto em direção ao seu, me deparando com seus orbes castanhos brilhando como jamais vira.
- Hum
- Como ficamos? Sei que ainda estou um pouco alta, mas sei o que sinto. Aliás, ambos sabemos
- Realmente não sei, estou ciente de meus sentimentos, mas isso não é o suficiente. Não sei o que fazer e não estou preparado pra te esquecer ou te deixar novamente
- Aceito ser a outra – ela disse em um tom serio e depois caiu na gargalhada, visivelmente alterada e cansada
Ela começou a aconchegar-se em meus braços, já bocejando. Era uma sensação inexplicável tê-la assim, em meus braços, como se fosse minha. Se não fossem todas as preocupações e pensamentos em minha cabeça agora, esse seria um momento maravilhoso, sublime e único.
- Feche seus olhos cansados
- Não quero – respondeu ela feito uma criança
- Boa noite meu amor – disse depositando um beijo levemente em sua testa
- Adeus melhor amigo – ela bocejou – Às vezes eu penso em tudo que poderíamos ter sido, mas não fomos – vi uma lagrima solitária brotar no canto de seu olho direito, para em seguida senti-la pingar em meu peito. Merda, por que as coisas não podiam ser simples como quando nós éramos jovens? Separados, sofrendo... Isso não é modo de viver
- “Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla“ – citei uma de minhas partes preferidas, e que se encaixava perfeitamente no momento, do meu livro favorito. Fazendo-a sorrir por um instante
- Pequeno príncipe, um dos meus favoritos – disse sonolenta
- Meu favorito, um livro infantil escrito para adultos, romântico eu o classificaria
- “Você é responsável por aquilo que cativas”. Boa noite meu amor – disse ela, assim como havia feito segundos atrás
- E eu vou te abraçar mais uma vez até amanhã – sussurrei
Assim ela adormeceu em meus braços,linda como um anjo, mesmo sendo meu inferno particular. E eu permaneci acordado velando seu sono, como se dependesse de mim ela não ter nada além de bons sonhos.

While you're deep in the dream      
Enquanto você está em um sonho profundo
I'm awake and thinking       
Estou acordado e pensando
Of what we could have been, yeah
 
Naquilo que poderíamos ter sido, sim
Could I have done something better
Eu poderia ter feito algo melhor
And made some changes
E feito algumas mudanças
But objects in the review mirror     
Mas os objetos ao redor do espelho
Are closer than they seem   
Estão mais próximos do que parecem
There's no use grasping       
Não adianta apreender
The things out of reach
        
As coisas fora do alcance

Enquanto ela está em um sono profundo, eu estou acordado e pensando naquilo que poderíamos ter sido, se eu poderia ter feito algo melhor e feito – obviamente – algumas mudanças. Mas não adianta se lamentar por algo que já se passou que já aconteceu e que não tem como voltar à trás, as coisas estão fora do alcance. Quem me vê falando assim até pensa que eu desistiria, apesar de não querer abrir mão de minha cômoda e medíocre vida de quase-casado, contudo, ficar com Ângela não parece mais tão vantajoso como antes, além de extremamente irritante. Então posso dizer que os objetos ao redor do espelho estão mais próximos do que parecem.
- Goodnight my love... – cantarolou ela me despertando de meus devaneios, levando-me a me perguntar a quanto tempo ela havia acordado e estaria observando minha cara de paspalho enquanto pensava
- Há quanto tempo está acordada?
- O suficiente para ver como você fica lindo enquanto pensa
- Ah claro
- Sabe que é verdade. E o que tanto pensava?
- Nada útil o suficiente para ser compartilhado – menti
Meu tempo estava acabando, em algumas horas todos da casa já estarão acordados e, honestamente, ainda não sei o que fazer, que decisão tomar. Se ficar aqui é o correto a se fazer, ou se vou para os braços da minha noiva e futura esposa e nunca mais ter em meus braços novamente. Esse pensamento fez meus olhos marejarem e meu nariz começar a arder. As lagrimas estavam por vir, cedo ou tarde elas viriam, e isso era um fato. E quem diz que homem não chora, é porque nunca sentiu o que eu sinto por essa mulher.

Inside I'm dying        
Dentro estou morrendo
I don't wanna let you
Eu não quero deixá-la
We worked so hard and       
Nós trabalhamos tão duro e
Outside I'm crying
    
Fora que eu estou chorando
My heart won't admit
           
Meu coração não vai admitir
What my mind already knows
         
O que minha mente já sabe
And it's getting light outside

E está ficando fora de luz

- Estou morrendo por dentro. Não quero deixar você ir, nós trabalhamos tão duro por isso e... – deixei a frase morrer com um suspiro – Por fora estou chorando – admiti. Ela apoiou-se em seus cotovelos e olhou em meus olhos com tanta profundidade... e então eu continuei – Meu coração não quer admitir o que minha mente já sabe – ela voltou a deitar-se em meu peito, mas pude ver, antes disso, seus olhos se encherem de água, e os meus não estavam muito diferentes.

- Está ficando claro lá fora – ela disse quebrando o silencio que havia se formado, após um tempo observando a janela

Guess I'll get up        
Acho que vou levantar
Put on my clothes     
Colocar a minha roupa
And kiss you one more time 
E te beijar mais uma vez
So close your tired eyes, yeah        
Então feche seus olhos cansados, sim

Não sabia o que fazer o que falar. Se ficava aqui pra sempre, ou se saía e enfrentava a cruel realidade que me esperava no quarto ao lado. Conforme os segundos passavam, as duvidas só sabiam crescer, meus pensamentos todos fora de ordem, neurônios em pânico. Com oitenta e seis bilhões deles correndo por aí, e nenhum desses malditos sequer me davam uma luz no fim do túnel.
- Acho que... Vou levantar e colocar minhas roupas e. - ela me olhou esperançosa – Te beijar mais uma vez
Passei sutilmente um dos polegares em sua bochecha, fazendo a fechar os olhos. Encostei meus lábios aos seus, mais uma vez, e fiquei assim por um tempo. Apenas sentindo os moldarem aos seus, como se fossem feitos um para o outro, para permanecerem assim pra sempre. Aprofundei o beijo, que era sempre indescritível, como se cada beijo fosse sempre o primeiro. Não a beijei por muito tempo, pois se o fizesse, acabaria atrapalhando – ainda mais – o raciocínio dos meus queridos e, aparentemente, inúteis neurônios.
Ela sorriu ao final, depositando um leve beijo na ponta do meu nariz, o qual ela sempre dizia ter sido meticulosamente moldado e que a cada dia ele ficava mais e mais bonito. Mulheres. Vai entendê-las.
- ...
- Feche seus olhos cansados – disse alisando seus cabelos e beijando sua testa em seguida
A deixei deitada em meio aos lençóis muito bem tecidos, a decoração de minha mãe sempre fora impecável, e saí catando minhas roupas pelo quarto para em seguida ir ao banheiro, melhorar – ou tentar pelo menos – minha cara, que estava, sinceramente, horrível. Céus. A noite fora maravilhosa, épica, e então o sol veio e trouxe com ele a realidade, o dilema que estava em minhas mãos, e que estava pesando mais do que eu poderia imaginar. Tentei arranjar solução para o problema, todas as possibilidades e o que poderia me acontecer a cada uma delas. Todavia, nada parecia claro o bastante pra me ajudar em minha decisão.

Ao sair do banheiro calçando apenas um dos sapatos, estava enrolada em um dos lençóis, e a me ver sorriu doce e serenamente, como se quisesse dizer que me entendia e que apoiaria minha decisão quaisquer fosse ela. E então, aquele momento minhas feições horríveis e amassadas, deram lugar a um sorriso enorme e radiante. Havia me decidido, e nada nem ninguém iria me fazer mudar de idéia.
- Já decidi – fui correndo em sua direção, como uma criança feliz. Segurei seu delicado rosto por entre minhas mãos – te amo – lhe dei um selinho demorado
- O que... ?? – perguntou confusa
Saí, mais uma vez, correndo. Porém, desta vez foi em direção a porta e pulando em apenas um pé, como um saci – uma crendice brasileira que minha babá havia me contado quando pequeno, que confesso que me assusta até hoje – enquanto tentava calçar o outro pé do meu mocassim.

Goodnight my love    
Boa noite meu amor
I feel you drifting    
Eu sinto você deslizando
Goodbye my best friend       
Adeus, meu melhor amiga
This ain't no kind of living     
Isto não modo de viver
Goodnight my love    
Boa noite meu amor
At least I held you on last time        
Ao menos te abracei uma ultima vez
Before tomorrow      
Antes de amanhã

- Já me decidi – abri a porta, me certificando que não havia ninguém no corredor – Adeus melhor amiga isso não é um modo de vida.
Sai porta a fora, mas antes de realmente ir fazer o que tinha que fazer, pus a cabeça pra dentro do quarto novamente, sorrindo...
- Boa noite Meu Amor

 

FIM

n.a: espero que vocês tenham gostado, e não liguem a demora pois essa parte fulera hot foi fucking hard de escrever

 

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