
por: Carolina Dantas
Tem
sido um longo ano longe
dela. Como se estivéssemos sendo testados. Mas
não a culpo por isso, na verdade,
não culpo ninguém por ter sido idiota o
suficiente pra cometer um erro tão
estúpido e não ter dado o valor que ela merecia.
E espero, realmente, que ela
esteja com alguém melhor do que eu poderia ter sido.
Agora finalmente entendo minha música favorita, alias, ela
se encaixa
perfeitamente na minha situação no momento. “Você
não sabe o que tem até perder.”
Hoje
terei a oportunidade
perfeita para concertar ou, pelo menos, explicar as coisas. Tentar
fazer do
jeito certo e quem sabe consegui-la de volta. Contudo, existe um
pequeno grande
detalhe, que por sinal se encontra sentada ao meu lado no banco do
passageiro.
Minha noiva. Por algum motivo ainda desconhecido por mim, a pedi em
casamento.
E até hoje não entendo porque o fiz, quero dizer,
não sou o tipo de cara que
gosta de ficar amarrado a apenas uma pessoa para o resto da vida,a
menos que
essa pessoa seja aquela que me completaria,seria minha
cúmplice, aquela que me
acomodaria, me daria carinho e prazer em uma
relação de companheirismo. E
Ângela não se encaixa, realmente, em nenhuma
dessas categorias, inclusive
prazer.
No
momento estou dentro do carro,
indo à casa de campo da minha família, passar a
virada do ano com eles, alguns
amigos e o ser que, em breve, darei meu nome. Ângela fala
comigo durante todo o
tempo,mas não consigo entender uma palavra sequer sua.
Fico apenas pensando no sorriso dela,no quanto ela pode estar mudada
– mais
bonita com toda certeza – mas que aquele sorriso estaria
igual àquele que tenho
guardado em minha mente. Ela. Minha melhor amiga, a mulher que a algum
tempo
vem tomando conta dos meus pensamentos, aquela que os atormenta,aquela
que
desejo tanto que poderia se materializar aqui ao meu lado a qualquer
momento.
A
viagem foi, de longe,
mais longa do que eu me recordava. Minha noiva não sabia
fazer outra coisa a
não ser reclamar, por inúmeros motivos
diferentes, que iam da demora da viagem
ás tradições da família,
nunca pensei que ela fosse tão criativa. Ela
resmungava sobre o quanto isso seria chato, como todos iriam dormir
cedo e que
ela começaria o ano de mau humor, entre outras diversas
coisas. Não agüentava
mais, eu apertava o volante com tamanha força, que meus
tendões chegaram a
ficar brancos e deixaria qualquer um assustado, tudo para
não descontar nela,
ou começar uma discussão que no momento era tudo
que eu menos queria. Foi por
esse e outros motivos que agradeci mentalmente assim que abri a porta
do carro
e saí do mesmo.
Fechei a porta com tanta força, devido meu mau humor, que
quase fez com que a
porta do outro lado se abrisse. Dei a volta no carro para pegar nossas
bagagens,
as tirei com certa raiva e saí caminhando em
direção a porta de entrada da
casa, nem esperei para que Ângela pudesse me acompanhar.
Porém todo esse sentimento de raiva passou, assim que pus
meus olhos na
decoração da casa. É
incrível como minha família não muda,
tradicional como
sempre foi. Aquela
casa,
com sua aparência aconchegante de sempre, toda iluminada, com
algumas lanternas
de jardins pela entrada e todos convidados de branco, fez com que eu me
lembrasse que estávamos em minha data festiva preferida, e
nada melhor do que
relaxar para aproveitar.
-
Sinceramente não sei o
porquê de usar branco no ano novo –
Ângela veio reclamando longo atrás de mim
–
Tem tantas outras cores mais bonitas que o branco e com o significado
tão bom
quanto. Por que só ele? Argh,eu já disse que
odeio tradições?É tão
antiquando,tão last year
- Pois eu adoro,sou totalmente conservador e cresci com todas essas
tradições,
por isso vá se acostumando – falei calmamente pra
ver se esta não fugia de
mim,parando em frente a porta de entrada – E se
divirta,estamos aqui pra isso
ok? – disse me virando pra ela – Eles gostam tanto
de você – “
uma mentirinha de vez em quando não faz
mal “ pensei
– Portanto não fique reclamando ou falando mal
deles pelas
costas,é a minha família – disse e
alisei seu cabelo – E em breve será a sua
também – me doeu dizer isso mas é a
verdade.
Dei-lhe um selinho, fazendo-a ficar radiante, com um sorriso que
poderia dar um
nó atrás de sua cabeça. É
nessas horas que penso em esquecer a
e
ficar
com Ângela, após esse maldito pensamento, toquei a
campainha.
Um tempo depois a porta se abriu e um ser, até
então não identificado, se
atirou em cima de mim e, a julgar pelo aperto do abraço,
deduzir ser minha
prima
- Maya,você irá me matar desse jeito
-
que
saudade – disse ela me soltando – Desde
que você começou a namorar
essa daí – olhou com desdém para
Ângela ao meu lado – Nunca mais te vi
- Olha aqui garota – Ângela já iria
começar a dar seus ataques,e sinceramente
não estava a fim de ter que agüentar isso agora, e
depois seu mau humor pelo
resto da noite.
Abracei as duas pelo pescoço, com a
intenção de fazerem-nas parar e evitar uma
possível luta livre que poderia vir a acontecer se
não interferisse.
- Como é lindo ver duas das mulheres mais importantes da
minha vida se dando
tão bem – disse com a voz carregada de ironia.
Assim que me certifiquei de que nada mais que serio que uma
possível troca de
insultos aconteceria, as soltei e entramos em seguida.Deixei as malas
no Hall
de entrada
, que estava relativamente cheio, assim que adentramos a casa percebi o
porquê
do hall estar daquele jeito, ela estava repleta de pessoas, rostos
conhecidos
,outros nem tanto assim, alguns pelos quais possuo um enorme carinho e
outros
não fazia idéia do porquê de estarem
aqui,mas enfim, família e suas
grandes recepções. Cumprimentei aqueles mais
próximos e isso incluía muita
gente, recebendo congratulações de alguns, o que
estava me deixando realmente
estressado e arrependido cada vez mais de minha decisão, e
também por ser
educado e não mandá-los para aquele lugarzinho
especial e deixaria o clima
festivo nada agradável. Até que desisti de
cumprimentar a todos, pois acho que
não seria capaz de ouvir mais um
”Parabéns” e ficar calado, e fui me
sentar na
sala e ficar conversando com alguns velhos e bons amigos.
-
Amor! Irei pegar alguma
bebida pra gente ok? – falei já me levantando,se
um dos meus amigos fizesse
mais uma piadinha sobre eu estar finalmente me amarrando,acho que
arrancarei a
cabeça de um deles fora, assim, os outros ficariam com medo
e não falariam mais
nada.
Nem esperei ela me responder e já havia saído.
Quase soltei um ‘Amem’ assim que me vi sozinho no
bar, sozinho com exceção do
Barman, e sim, havia um Barman, já que o bar sozinho
não bastaria para tamanho
numero de convidados. Pedi um drink qualquer, não estava
tão interessado assim
no que iria beber e sim em ficar sozinho, espairecer um pouco.
Estava lá, tranqüilo, sem um pensamento passando
por minha mente, apenas
bebericando meu drink , quando escuto alguém me chamar
-
?
– uma doce e ao mesmo tempo sexy voz me chamar, e com
um certo tom de
duvida, a única voz que me fazia arrepiar –
É você?
Me virei ,provavelmente com a maior cara de retardado que eu poderia
ter feito,
e para minha não surpresa ela estava linda ,exatamente como
imaginei que
estaria, com um lindo vestido
branco
e aquele sorriso, que no momento era direcionado apenas a mim e isso me
fez
brilhar por dentro.
- Wow – exclamei assim que a examinei por inteiro –
Você está linda – ela
sorriu completamente sem graça,assim como imaginei que faria
- Obrigada, e... – ela parou de falar me analisando
– posso dizer o mesmo de
você
- Fico feliz por estar aqui – eu disse e ela riu
não me pergunte o por quê
-
,passo
as datas comemorativas com a Família
desde que eu me lembre.Eu
é que estou impressionada e surpresa por você
estar aqui
- São minha família, nada mais certo do que estar
nestas datas com eles não?
- Bom, mas ultimamente você não tem aparecido, nem
nas datas mais importes você
apareceu, como no aniversario da sua mãe
- Ângela não estava se sentindo bem aquele dia, eu
a avisei aquele dia e acabei
recompensando depois
- Ainda estou esperando pela minha ligação
– disse ela baixo,para que talvez eu
não a ouvisse, mas sua feição triste
obteve resultado contrario.Acabei ouvindo
o que ela havia dito e isso acabou me cortando por dentro. Uma vontade
imensa
de te abraçar e dizer que no final tudo acabaria bem, porem
não poderia fazer
isso sem arcar com as possíveis
conseqüências depois.
- Tenho que ir meu amor – após as recentes
descobertas foi estranho e doloroso
chamá-la como sempre – Deixei Ângela
esperando. Conversamos melhor depois –
precisamos conversar melhor depois, obviamente não disse
isso, apesar da enorme
vontade.
Não podia ficar ali mais um minuto, alem de não
ser certo, não estava me
fazendo bem e poderia acabar fazendo algo que poderia – ou
não – me
arrependendo no dia seguinte. E pela pressa de sair ,acabei esquecendo
de pegar
as bebidas ,por isso durante o caminho fui pensando em uma desculpa a
prova de
falhas para evitar um possível e irritante
interrogatório.
Não
demorou
muito para que a comida fosse servida, e o ambiente não
poderia estar mais
agradável. Demorei um pouco para me servir, todos pareciam
estar prestes a
morrer de fome então, educadamente, esperei que a maioria se
servisse para que
depois eu fizesse o mesmo.
Céus, como eu sentia saudades dessa comida.
Você pode contratar um dos
melhores cozinheiros do país – como eu
faço – contudo nada se compara a comida
que sua mãe faz.
- Mamãe, sua comida estava simplesmente
incrível. Quanto tempo que eu não
comia dela, a senhora não faz idéia do quanto eu
sentia falta de tudo isso
- Você também não faz
idéia. Já terminou querido? – ela
perguntou e eu
apenas assenti, com a boca cheia demais para emitir algum som
– Vamos lá pra
fora com o resto dos convidados
A sala de jantar já estava vazia, exceto por minha
mãe e eu, p restante
estavam todos no jardim conversando, rindo, bebendo, todos extremamente
animados e ansiosos pela virada.
Uma das melhores partes da casa é, sem duvida, o
jardim.
Além de vasto, temos todos os anos, uma vista perfeita e
privilegiada dos fogos
do condomínio. O que acabada tornando essa data ainda mais
especial. Quero
dizer, ano novo, vida nova – em teoria – todos os
votos, promessas e desejos de
algo novo e melhor virá a acontecer. Um sentimento realmente
bom, de que, por
maior que seja a burrada que você tenha feito tudo pode se
ajeitar – ou ficar
ainda pior – mas não quero pensar nisso.
Mamãe estava conversando com algumas velhas
amigas, enquanto eu estava ao
seu lado sendo exibido como um grande e brilhoso troféu, a
única coisa que
faltava era uma dessas senhoras começarem apertar minha
bochecha e dizer “como
você cresceu, já é um homem. E eu que
vi você este tamanhinho”
é nessas
horas que odeio ser o filho único.
Entre um pensamento e outro avistei quem eu mais queria.
.
E
sinceramente não sabia o que faria. Se ficaria aqui com
minha mãe, se iria
conversar com
ou
se iria para o quarto fazer campainha para
Ângela – que
dizia estar passando mal. HÁ. Esse ultimo pensamento me fez
rir, não iria
passar meus últimos momentos do ano com ela reclamando de
dores inexistentes,
portanto ultima opção descartada. Assim que a
descartei, minha mãe me disse
algo que me ajudou a descartar mais outra.
- Pode ir lá
–
disse ela
após ver para onde eu estava olhando – Sei
que vocês precisam conversar. Além do mais,
quantas viradas você já passou
comigo?
- Varias
- Então... Pode ir
- Obrigado – disse a abraçando
– Feliz ano novo – falei assim que saí
do
abraço
Fui
até a cozinha pegar algumas coisas que poderiam vir a me
ajudar e
serem úteis mais tarde, e fui em
direção ao canto mais afastado do jardim.
- Posso fazer companhia a essa bela moça tão
solitária? – perguntei assim que
me aproximei. Ela se virou um pouco assustada e lhe mostrei as
taças e a
garrafa de champagne que trazia, sorrindo
- Sempre – sorriu
- Trouxe pra gente – me referi as taças e garrafa
– Para brindarmos na virada –
falei colocando-as no chão ao lado da espreguiçadeira
onde
estávamos sentado
- Hm espertinho – disse ela rindo
- Sempre – imitei suas palavras de instantes atrás
Engatamos em uma conversa como a anos não
fazíamos, literalmente. Era
fantástico ter ela ao meu lado depois de tanto tempo, nem
que seja para uma
simples conversa amiga – o que era raro ultimamente,
já que até as conversas
com Ângela tinha sempre um pedido por trás delas,
bolsas,sapatos e vestidos
novos estão inclusos na lista de pedidos. Então
era extremamente bom quando alguém
vinha conversar comigo apenas para saber se eu estava bem ou apenas
para jogar
conversa fora mesmo.
(n.a:
sugiro que você coloque a musica
para
carregar e escute assim que ela começar e toda vez que
aparecer)
Faltavam
poucos minutos para a virada,muitos já haviam aberto suas
garrafas,outros elas já haviam estourado sozinhas. Eu estava
apenas esperando o
momento certo
-
Olha
–
comecei – Me desculpa –
finalmente achei a oportunidade
que tanto esperei – Não queria ter causado tantos
problemas na sua vida,nunca
foi e nem será minha intenção te fazer
sofrer
- Você não precisa se desculpar
- Preciso sim, estraguei nossa amizade,te machuquei e acabei pagando
por isso
- Desculpas aceitas ,mas me prometa que não
tocará nesse assunto de novo ok? –
disse sorrindo,apesar de saber que era apenas uma mascara,que esse
assunto a
deixava tão triste quanto eu
- Tudo bem – respondi
It's
been quite a long year
Tem
sido um ano muito longo
Like
we're being tested
Como
estamos sendo testados
To face all our fears
Para
enfrentar todos os nossos medos
-
Tem sido um longo ano sem
você sempre aqui – ela disse
- É... – concordei – É como
se estivéssemos sendo testados a encarar todos
nossos medos
- Uhum
15,14,13,12,11...
Ficamos
tanto tempo
conversando que nem percebemos as horas, quando dei por
mim,já estavam fazendo
a contagem.
- Rápido
,
abre a champagne – ela ordenou,
peguei rapidamente a garrafa
...10,9,8,7...
Comecei
a chacoalhá-la o
mais forte possível para que ela pudesse estourar com
êxito.
...6,5,4...
Preparei-me para estourá-la no tempo exato,enquanto isso
continuava a agitá-la
com força
...3,2,1
Finalmente a estourei,com um pouco de dificuldade, porem perfeitamente.
Derramei um pouco em meu suéter, voou outro bocado em seu vestido,
nos fazendo rir. Enchi as taças, enquanto os fogos
iluminavam o céu em uma
explosão de cores, o que tornava tudo ainda mais especial e
quem sabe
inesquecível.
- À ano melhor,sem brigas e com mais presença
–
interrompeu
meus
pensamentos, levantando sua taça sorrindo, propondo um
brinde. Sorri de volta e
acompanhei seu gesto
- A nós – falei serio, encarando seus olhos com
tamanha intensidade que fez com
que ela sorrira sem graça. E então brindamos, e
em seguida sentamos novamente
na espreguiçadeira para voltarmos à conversa.
Finally your
mind will get some rest
Finalmente
sua mente vai descansar
And you'll feel
much better
E
você vai se sentir muito melhor
When you're
laying on my chest
Quando
você está repousando em meu peito
I'll keep you
right by my side
Eu
vou manter você do meu lado
I feel you
breathing
Eu
sinto você respirar
Close your
tired eyes
Feche
os seus olhos cansados
-
Finalmente sua mente irá
descansar – ela voltou a falar se referindo a todo o remorso
que eu sentia –
Agora você se sentirá muito melhor, você
vai ver
- Só quando você estiver repousando em meu peito.
Vi seus olhos molharem, seu rosto já começava a
ficar corado. Um sinal de que as
lagrimas estavam por vir. Então ela me abraçou
forte, e repousou em meu peito,
assim como havia dito.
- Como nos velhos tempos... – sussurrei contra seus cabelos
– Irei sempre
manter você ao meu lado
- Sinto você respirar... Como nos velhos tempos –
ela me imitou
Não sei dizer ao certo o que aconteceu depois, ou quantas garrafas nós bebemos,
mas quando dei por mim estava prensando contra a porta de seu quarto – já
que o meu estava ocupado. Pensar nisso me fez querer parar tudo e me afastar
dela, afinal, minha futura esposa está no quarto ao lado e eu aqui aos amassos
em pleno corredor com minha amiga e mulher pelo qual estou apaixonado.
Completamente errado. Isso porque eu não aceito traição. HÁ HÁ. O ser humano
pode ser mais hipócrita do que ele pensa.
Quando finalmente consegui abrir a porta – o que exigiu certa criatividade de
minha parte – senti mãos macias passear por todo meu abdome e me puxar pela
gola
do suéter quarto adentro e foi sua vez de me prensar sobre a porta assim que
esta foi fechada. Pelo menos, agora, corríamos menos perigo de ser pegos, do que
quando estávamos do lado de fora do quarto.
Pelo jeito eu não era o único que esperava por esse momento. Seus lábios
procuravam pelos meus com tamanha urgência – até maior que a minha eu diria –
que provavelmente já deveriam ter passado de vermelhos para o roxo. Estreitei
meus braços em volta de sua cintura, nos aproximando ainda mais, dificultando um
pouco o movimento de seus braços, cujo as mãos ainda seguravam fortemente minha
gola. Voltei minha atenção ao seu pescoço, precisávamos um pouco de ar. Fui
descendo meus beijos pelo seu pescoço e ombros, enquanto minhas mãos iam em
direção ao zíper, assim que abri soltei sua cintura e ela se afastou, fazendo
seu vestido branco escorregar pelo seu corpo revelando, para minha surpresa, sua
quase nudez. Seus seios perfeitamente delineados.Examinei todo seu corpo. Olhei
dos pés aos olhos. A luxuria e o desejo flamejavam em meu olhar e se refletiam
em seu, nada inocente, sorriso.
Tirei meu suéter e joguei em qualquer canto no chão e voltei a beijá-la com
fervor. Minhas mãos foram inconscientemente parar em seus seios, enquanto as
suas abriam lentamente os botões da minha camisa, passando as unhas levemente
por meu abdome enquanto o fazia. Me fazia arrepiar e sentir coisa que jamais
sentira. Coisas que só podia e, estranhamente, só queria sentir com ela. Assim
que minha camisa fez companhia para o resto das peças, ela desmanchou o nó da
minha gravata e assim que o fez, sem tira-la do meu pescoço, foi me puxando em
direção a cama, quebrando o beijo, porem o contato visual intenso continuava
intacto. Um olhar extremamente sexy e repleto de cobiça...
que só conseguiu me deixar ainda mais excitado e com mais vontade de possuir e
vê-la gritando meu nome. Ela caiu na
cama
e me puxou junto pela gravata, minhas mãos agora passeavam por suas coxas e as
suas iam de encontro aos meus cabelos da nuca, que foram puxados bruscamente
assim que minhas mãos foram de encontro a sua intimidade. Comei a acariciá-la
por cima de seu traje intimo ouvindo meu nome entre gemidos em troca.
Minhas calças estavam completamente inúteis e incômodas. Ficavam mais apertadas
a cada momento e não ajudava nem um pouco gemendo e respirando pesadamente
em meu ouvido e pescoço.
- Tira logo... essas ..cal..calças - ela disse, com certa dificuldade
devido a respiração acelerada, após tentar, sem sucesso devido a falta de
concentração, desabotoá-las
Me levantei e tirei as calças juntamente com a boxer. Assim que o fiz, me
aproximei dela lentamente e tirei sua única e ultima peça de roupa restante e
joguei exatamente onde eu queria que nossas roupas estivesse assim que pus meus
olhos nela hoje: no chão.
- Camis.. - perguntei intercalando beijos em seu pescoço e colo - Camisinha? -
perguntei voltando a beijar seus lábios com vigor. Pude ver uma de suas mãos
indo em direção a gaveta superior e tirar de lá o tão esperado pacotinho. Não
podia e não queria esperar mais.
Ela abriu e colocou a camisinha calma e sensualmente, algo que teria achado
extremamente sexy e excitante se não estivesse em ponto de bala, e minha vontade
de possuí-la e ser o causador de seus mais altos gritos de prazer não fosse
desesperadoramente grande. Assim que terminou de colocar, a puxei pela pernas
pra mais perto, fazendo-a abrir as mesmas e facilitando para que eu pudesse me
encaixar e então a penetrei. Senti ela soltar todo o ar de seus pulmões
pesadamente. Beijei seus lábios e investi mais uma vez. O beijo foi tomando um
rítimo acelerado, acompanhando meus movimentos. Os sons que saiam de sua boca,
vinham do fundo da garganta. E passaram de simples gemidos à gritos que poderiam
acordar toda a casa, mas que eu realmente não importaria.
Minhas investidas aconteciam com mais força e freqüência e ouvi-la pedindo mais
e mais rápido não ajudava em nada para o controle da minha sanidade mental.
Nossos corpos já se encontravam suados e pareciam querer se fundir. Sua boca,
entreaberta por onde o ar entrava e sai pesadamente. Seu corpo pedindo mais e
mais, me fazendo deduzir que seu máximo estava por vir. Mais uma estocada e eu
atingi o meu máximo, soltando todo o ar contido em meus pulmões, mas não pararia
até que fizesse ela chegar ao ápice e um ultimo gemido escapasse por entre seus
lábios. Investia fortemente enquanto massageava seu clitóris, seus pedidos de
mais aumentavam a cada segundo, gemidos e mais gemidos saiam de sua boca. Até
que senti seu corpo todo contrair e um grito escapar de sua garganta.
Goodnight my love
Boa noite meu amor
I feel you drifting
Eu sinto você deslizando
Goodbye my best friend
Adeus, meu melhor amiga
This ain't no kind of living
Isto não modo de viver
Goodnight my love
Boa noite meu amor
And I'll hold you one more time
E eu vou te abraçar mais uma vez
Until tomorrow
Até amanhã
Deitei cansado com ela repousando sobre meu peito, em silencio. Não sabia
exatamente o que falar, ou se o que acabara de acontecer era certo ou até mesmo
real. Contudo, sabia que se eu abrisse a porra da minha boca agora acabaria
estragando tudo, como de praxe.
- – ela quebrou o silencio, como se, de alguma forma, pudesse ler meus
pensamentos. Virei meu rosto em direção ao seu, me deparando com seus orbes
castanhos brilhando como jamais vira.
- Hum
- Como ficamos? Sei que ainda estou um pouco alta, mas sei o que sinto. Aliás,
ambos sabemos
- Realmente não sei, estou ciente de meus sentimentos, mas isso não é o
suficiente. Não sei o que fazer e não estou preparado pra te esquecer ou te
deixar novamente
- Aceito ser a outra – ela disse em um tom serio e depois caiu na gargalhada,
visivelmente alterada e cansada
Ela começou a aconchegar-se em meus braços, já bocejando. Era uma sensação
inexplicável tê-la assim, em meus braços, como se fosse minha. Se não fossem
todas as preocupações e pensamentos em minha cabeça agora, esse seria um momento
maravilhoso, sublime e único.
- Feche seus olhos cansados
- Não quero – respondeu ela feito uma criança
- Boa noite meu amor – disse depositando um beijo levemente em sua testa
- Adeus melhor amigo – ela bocejou – Às vezes eu penso em tudo que poderíamos
ter sido, mas não fomos – vi uma lagrima solitária brotar no canto de seu olho
direito, para em seguida senti-la pingar em meu peito. Merda, por que as coisas
não podiam ser simples como quando nós éramos jovens? Separados, sofrendo...
Isso não é modo de viver
- “Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões
de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla“ – citei uma
de minhas partes preferidas, e que se encaixava perfeitamente no momento, do meu
livro favorito. Fazendo-a sorrir por um instante
- Pequeno príncipe, um dos meus favoritos – disse sonolenta
- Meu favorito, um livro infantil escrito para adultos, romântico eu o
classificaria
- “Você é responsável por aquilo que cativas”. Boa noite meu amor – disse
ela, assim como havia feito segundos atrás
- E eu vou te abraçar mais uma vez até amanhã – sussurrei
Assim ela adormeceu em meus braços,linda como um anjo, mesmo sendo meu inferno
particular. E eu permaneci acordado velando seu sono, como se dependesse de mim
ela não ter nada além de bons sonhos.
While you're deep in the dream
Enquanto você está em um sonho profundo
I'm awake and thinking
Estou acordado e pensando
Of what we could have been, yeah
Naquilo que poderíamos ter sido, sim
Could I have done something better
Eu poderia ter feito algo melhor
And made some changes
E feito algumas mudanças
But objects in the review mirror
Mas os objetos ao redor do espelho
Are closer than they seem
Estão mais próximos do que parecem
There's no use grasping
Não adianta apreender
The things out of reach
As coisas fora do alcance
Enquanto ela está em um sono profundo, eu estou acordado e pensando naquilo que
poderíamos ter sido, se eu poderia ter feito algo melhor e feito – obviamente –
algumas mudanças. Mas não adianta se lamentar por algo que já se passou que já
aconteceu e que não tem como voltar à trás, as coisas estão fora do alcance.
Quem me vê falando assim até pensa que eu desistiria, apesar de não querer abrir
mão de minha cômoda e medíocre vida de quase-casado, contudo, ficar com Ângela
não parece mais tão vantajoso como antes, além de extremamente irritante. Então
posso dizer que os objetos ao redor do espelho estão mais próximos do que
parecem.
- Goodnight my love... – cantarolou ela me despertando de meus devaneios,
levando-me a me perguntar a quanto tempo ela havia acordado e estaria observando
minha cara de paspalho enquanto pensava
- Há quanto tempo está acordada?
- O suficiente para ver como você fica lindo enquanto pensa
- Ah claro
- Sabe que é verdade. E o que tanto pensava?
- Nada útil o suficiente para ser compartilhado – menti
Meu tempo estava acabando, em algumas horas todos da casa já estarão acordados
e, honestamente, ainda não sei o que fazer, que decisão tomar. Se ficar aqui é o
correto a se fazer, ou se vou para os braços da minha noiva e futura esposa e
nunca mais ter em meus braços novamente. Esse pensamento fez meus olhos
marejarem e meu nariz começar a arder. As lagrimas estavam por vir, cedo ou
tarde elas viriam, e isso era um fato. E quem diz que homem não chora, é porque
nunca sentiu o que eu sinto por essa mulher.
Inside I'm dying
Dentro estou morrendo
I don't wanna let you
Eu não quero deixá-la
We worked so hard and
Nós trabalhamos tão duro e
Outside I'm crying
Fora que eu estou chorando
My heart won't admit
Meu coração não vai admitir
What my mind already knows
O que minha mente já sabe
And it's getting light outside
E está ficando fora de luz
- Estou morrendo por dentro. Não quero deixar você ir, nós trabalhamos tão duro por isso e... – deixei a frase morrer com um suspiro – Por fora estou chorando – admiti. Ela apoiou-se em seus cotovelos e olhou em meus olhos com tanta profundidade... e então eu continuei – Meu coração não quer admitir o que minha mente já sabe – ela voltou a deitar-se em meu peito, mas pude ver, antes disso, seus olhos se encherem de água, e os meus não estavam muito diferentes.
- Está ficando claro lá fora – ela disse quebrando o silencio que havia se formado, após um tempo observando a janela
Guess I'll get up
Acho que vou levantar
Put on my clothes
Colocar a minha roupa
And kiss you one more time
E te beijar mais uma vez
So close your tired eyes, yeah
Então feche seus olhos cansados, sim
Não sabia o que fazer o que falar. Se ficava aqui pra sempre, ou se saía e
enfrentava a cruel realidade que me esperava no quarto ao lado. Conforme os
segundos passavam, as duvidas só sabiam crescer, meus pensamentos todos fora de
ordem, neurônios em pânico. Com oitenta e seis bilhões deles correndo por aí, e
nenhum desses malditos sequer me davam uma luz no fim do túnel.
- Acho que... Vou levantar e colocar minhas roupas e. - ela me olhou esperançosa
– Te beijar mais uma vez
Passei sutilmente um dos polegares em sua bochecha, fazendo a fechar os olhos.
Encostei meus lábios aos seus, mais uma vez, e fiquei assim por um tempo. Apenas
sentindo os moldarem aos seus, como se fossem feitos um para o outro, para
permanecerem assim pra sempre. Aprofundei o beijo, que era sempre indescritível,
como se cada beijo fosse sempre o primeiro. Não a beijei por muito tempo, pois
se o fizesse, acabaria atrapalhando – ainda mais – o raciocínio dos meus
queridos e, aparentemente, inúteis neurônios.
Ela sorriu ao final, depositando um leve beijo na ponta do meu nariz, o qual ela
sempre dizia ter sido meticulosamente moldado e que a cada dia ele ficava mais e
mais bonito. Mulheres. Vai entendê-las.
- ...
- Feche seus olhos cansados – disse alisando seus cabelos e beijando sua testa
em seguida
A deixei deitada em meio aos lençóis muito bem tecidos, a decoração de minha mãe
sempre fora impecável, e saí catando minhas roupas pelo quarto para em seguida
ir ao banheiro, melhorar – ou tentar pelo menos – minha cara, que estava,
sinceramente, horrível. Céus. A noite fora maravilhosa, épica, e então o sol
veio e trouxe com ele a realidade, o dilema que estava em minhas mãos, e que
estava pesando mais do que eu poderia imaginar. Tentei arranjar solução para o
problema, todas as possibilidades e o que poderia me acontecer a cada uma delas.
Todavia, nada parecia claro o bastante pra me ajudar em minha decisão.
Ao sair do banheiro calçando apenas um dos sapatos, estava enrolada em um
dos lençóis, e a me ver sorriu doce e serenamente, como se quisesse dizer que me
entendia e que apoiaria minha decisão quaisquer fosse ela. E então, aquele
momento minhas feições horríveis e amassadas, deram lugar a um sorriso enorme e
radiante. Havia me decidido, e nada nem ninguém iria me fazer mudar de idéia.
- Já decidi – fui correndo em sua direção, como uma criança feliz. Segurei seu
delicado rosto por entre minhas mãos – te amo – lhe dei um selinho demorado
- O que... ?? – perguntou confusa
Saí, mais uma vez, correndo. Porém, desta vez foi em direção a porta e pulando
em apenas um pé, como um saci – uma crendice brasileira que minha babá havia me
contado quando pequeno, que confesso que me assusta até hoje – enquanto tentava
calçar o outro pé do meu mocassim.
Goodnight my love
Boa noite meu amor
I feel you drifting
Eu sinto você deslizando
Goodbye my best friend
Adeus, meu melhor amiga
This ain't no kind of living
Isto não modo de viver
Goodnight my love
Boa noite meu amor
At least I held you on last time
Ao menos te abracei uma ultima vez
Before tomorrow
Antes de amanhã
- Já me decidi – abri a porta, me certificando que não havia ninguém no corredor
– Adeus melhor amiga isso não é um modo de vida.
Sai porta a fora, mas antes de realmente ir fazer o que tinha que fazer, pus a
cabeça pra dentro do quarto novamente, sorrindo...
- Boa noite Meu Amor
FIM
n.a: espero que vocês tenham
gostado, e não liguem a demora pois essa parte fulera hot foi
fucking hard de escrever
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