
por: Carolina Dantas
Capitulo um
"Sou melhor que a minha fama."
( Friedrich Von Schelegel )
Sei
que homem não chora, e pra falar a verdade não
chorei por ela. Nunca nenhuma mulher foi digna o suficiente pra merecer
uma
lagrima ao menos, e com ela não seria diferente. Uma das
poucas vezes que me
lembro de ter chorado, foi em uma derrota ridícula dos
Yankees para o LA
Dodgers, mas foi há anos atrás, então
desconsidero.
Mas fiquei realmente triste quando ela me deixou, sentia algo forte,
especial até,
eu diria. Não era amor, claro. Até porque isso
não existe. Sempre vivem me
dizendo “o
amor é a melhor coisa que se
pode acontecer com o ser humano”
o que eu acho ridículo. E como posso
acreditar nisso se minha mãe – aquela que
supostamente deveria me ‘amar’ pela
eternidade – abandonou a mim e meu pai quando eu ainda era
uma criança? Além do
mais, quem melhor do que eu – um neorologista e
psicólogo formado com honra ao
mérito, obrigado – para saber que tudo isso que
chamam, idiotamente, de amor, para
a medicina nada mais é do que a influencia de
hormônios como: oxitocina e feromônio.
É tudo questão instintos como dos
mamíferos, tal como fome ou sede. E não tem
como ser nada mais que isso, já que o
coração é um pedaço de
músculo que
bombeia sangue para todo o corpo.
Por esse motivo as lagrimas não vieram com a noticia do fim.
Aprendi a
controlá-las e desde então não tenho
derrubado uma sequer.
Fiquei tempo suficiente em casa – já
não saía antes e agora muito menos –
pensando no porquê de ela ter me deixado, assim sem mais nem
menos. Um cara
como eu: bonito, medico bem sucedido (traduzindo, rico) e sexy; que
mulher em
sua sã consciência largaria? Nenhuma,
só ela. Meus amigos ficam dizendo que
estou na famosa fossa, mas eu digo que estou em um período
de transição, onde
eu termino de devorar uma presa, me preparo e dou o próximo
bote. Eles acham
que preciso de ajuda, mas não esta saindo conforme o
planejado já que existem
exatamente três patetas sentados no sofá, onde
só deveria ter um, e a única
coisa que sinto, além do bafo de cerveja de um deles,
é tédio.
- Puta merda! Daqui a pouco estamos virando parte do sofá de
tanto tempo que
estamos sentados nele sem fazer nada. No tédio –
explodiu,
cansado com a
falta de animo que emanava de mim
- Então sai pegar suas ninfetinhas – respondi
indiferente
- Como se eu fizesse isso, mas e é o que eu deveria estar
fazendo, melhor do
que ficar aqui nesse tédio. Alias, é o que
você também deveria fazer
- Odeio dizer isso, mas ele tem razão –
finalmente
abriu a boca – Desde
que a Ângela terminou com você, que você
não sai com agente
- Eu só não quero ser preso por abuso de menores
– sorri provocador, ainda sem
animo
- Ok, já chega –
levantou
nervoso do
sofá, aposto que ele deve estar com
alguma menor por ai – Não agüento mais
ver você pra baixo desse jeito, você não
é assim cara
- E quem te vê assim na fossa...
- Período de transição –
corrigi
- Que seja –
deu
ombros – Quem te vê
assim, nesse “período de
transição” –
fez aspas com os dedos – pensa que você
está sofrendo por amor
- HAHAHAHA – dessa eu tive que rir – Até
parece, amar é para os tolos que ainda
acreditam nessa bobagem
- De qualquer jeito... – disse
retomando
o assunto
– Já que você não faz nada,
nós faremos pra você
- Não entendi – admiti confuso
- Feliz aniversario –
disse
me entregando um
cartão branco escrito um nome
e um telefone em prata
- Agora, de fato, não entendi porra nenhuma –
peguei o cartão e olhei
atentamente, o virei em minha mão para chegar se tinha algo
que pudesse ser
útil do outro lado, mas não. Nada
- Isso é um presente de aniversario para você sair
da fossa
- Meu aniversario é só daqui a... – fiz
as contas nos dedos – cinco meses
- Por isso mesmo, não iríamos agüentar
mais cinco meses de “período de
transição”
- Você e suas aspas estão me irritando
- Não me importa
- E não precisa agradecer. Mas... O presente só
inclui dois encontros
- Dois encontros? Mas que diabos vocês estão
falando?
- Nosso presente –
disse
com uma cara de quem havia tido
uma idéia genial -
Esse daí é o telefone da sua acompanhante de
aluguel – sorriu largamente
- E uma garota de programa vai resolver meus problemas? Alias,
problemas estes,
que só existem na cabeça de vocês
- Primeiro passo para resolver um problema é admitir que ele
existe – disse
com
uma cara de sábio
- E se você não parar com isso, o seu primeiro
passo será direto para uma
clinica de estética – falei entre dentes com os
punhos cerrados, estava ficando
cansado disso.
- Nossa, está de TPM –
brincou
- Não brinca – ameacei
- Ok, chega
–
interveio – E não,
não é uma garota de programa. É
acompanhante de aluguel
- Ainda não entendi
- Acompanhante de aluguel, é uma pessoa contratada pra sair
com você. Você paga
e ela faz o que você quer
- Tipo... Uma garota de programa? – perguntei obvio
- Não! Ela não faz esse tipo de coisa. O que
você quiser significa: jantares,
compras no shopping, cinema, encontro e coisas assim. É tipo
amigo de aluguel
- Agora entendi
- Então, o telefone você já tem, agora
só falta ligar e marcar algo
- Obrigado, eu realmente aprecio, mas passo
- Aí é que esta, não pode
- Já esperávamos isso. Então
já pagamos dois encontros
- Isso mesmo. E ela não aceita
devoluções
- Oh muito obrigado – disse irônico –
Parece até que não posso me virar
sozinho. Que preciso, pateticamente, de duas babás para
fazer isso por mim.
- E ultimamente precisa –
falou
baixo provocando mais uma
vez
-
–
adverti, mais uma e eu acertaria, com o maior prazer,
meu punho em sua
cara
-
,
você não acredita em amor,
então por que está sofrendo desse jeito?? -
- Não estou sofrendo, só estou preparando terreno
para o próximo ataque. E
mesmo que estivesse não precisava arrumar um encontro pra
mim. Eu sei fazer
isso
- Não parece –
provocou
mais uma vez, dessa
vez seguido de um sorriso
cínico.
Saí correndo do meu lugar e voei, literalmente, onde
estava
derrubei ele no
chão e sentei em seu rosto.
- Está confortável assim
?
–
perguntei sorrindo cinicamente, assim como ele
fizera segundos atrás
- Mffff ,hum hm mff – era a única coisa que
conseguia entender, já que meu traseiro
estava esmagando seu crânio no momento
- Ele vai morrer sem ar –
falava
preocupado, mas ao mesmo
tempo rindo
debilmente
- Que morra, assim ele para de me importunar
Ele se mexeu, de uma maneira que até então achei
ser impossível, e conseguiu me
tirar de cima da sua cabeça, me jogando para o lado me
fazendo esbarrar na
poltrona
e
derrubar alguns livros. Apesar da bagunça, foi
cômico.
- Voce tem problemas ? –
perguntou
após
recuperar o fôlego
- Eu avisei
- Panaca
- Será que as duas crianças podem parar??
- Ok – respondemos em uníssono
- já que você animou, por que agente
não sai?
- Uau
,
idéia genial –
se
animou com a
idéia
- Ah não sei não... –
comecei, mas fui
interrompido
- Já chega né. Você vai e pronto
- Ok, vamos – disse contrariado – Vou tomar um
banho e encontro vocês lá ok?
- Aeee
- Aonde vamos? – apesar de já imaginar onde seria,
perguntei, por via das
duvidas
- Avalon – responderam juntos
- Ok até lá – caminhei até a
porta do apartamento e a abri – Agora podem ir
- Depois dessa expulsão, nós vamos –
disse
fingindo estar ofendido
- Sim, e se você não for, mandaremos a policia
atrás de você – os dois já
estavam do lado de fora da minha moradia
- Quando que eu não cumpri minha palavra?
- Nunca
- Ótimo – e fechei a porta na cara dos dois. Teria
paz agora, pra pelo menos
tomar um banho tranqüilo
Assim que fechei a porta e me virei, dei de cara com uma
bagunça ridiculamente
grande, resultado de algumas horinhas com aqueles papetas que chamo de
amigos.
Pacotes de salgadinhos, garrafas e latinhas de cerveja
impossíveis de se contar
nos dedos. Não sei como não ficamos
bêbados, tomara que eles tenham sorte e não
esbarre com nenhuma viatura da policia pelo caminho.
Fui para o meu quarto, entrei no banheiro e me despi com a
sensação de ter
esquecido alguma coisa, mas entrei no banho mesmo assim. Sentir a
água quente
descendo por minhas costas é extremamente
tranqüilizante, principalmente quando
se tem amigos como os meus, que te estressam o tempo todo, e nada
melhor que um
banho para relaxar os músculos que ficam duros todas as
vezes que eles aparecem
aqui, nunca se sabe o que tais criaturas podem fazer. Cada visita, uma
surpresa. Houve uma vez, em que
apareceu
aqui em casa desesperado,
branco,
porque o pai de uma menina que ele estava pegando possuía
uma arma de choque e
havia descoberto o casinho dos dois. Quase cometi um assassinato aquele
dia,
porque do jeito que ele estava eu pensei que a policia iria aparecer
aqui em
casa a qualquer momento. Pensar sobre esse dia me faz soltar boas
gargalhadas.
Rindo mentalmente, me peguei pensando novamente em Ângela. Se
eu realmente não
acredito no amor, por que diabos eu estou
”sofrendo” por ela? É apenas eu
descansar a mente com coisas rotineiras, que meus pensamentos viajam
até essa
mulher. Começo a pensar em tudo que poderíamos
ter sido; o que poderíamos ter
feito... E de repente uma pergunta atormentadora invade minha
cabeça: Será que
estou apaixonado por ela? E então solto meu
típico riso sarcástico e ela sai
dos meus pensamentos. Um cara que nem acredita nessa tolice de amar e
acaba se
perguntando se estava apaixonado? Meio irônico,
até pra mim. O que penso sobre
o amor é que ele é o poder que a mulher possui de
esvaziar o cérebro dos homens
e domesticá-los.
Fiquei um bom tempo pensando
nessa minha teoria, que parecia genial.
- Hey, Jude,
don't let me down,
you have found her now go and
get her,
remember to let her into your heart, hen
you can start to make it better.
Cantar
no chuveiro é algo que, particularmente, adoro e me
envergonho. Assim como
falar sozinho, ser pego fazendo essas duas coisas é
extremamente embaraçoso.
Rindo com esse pensamento, abaixei a cabeça e olhei meus
pés, excessivamente
enrugados, entendendo como isso como um sinal claro de que era hora de
sair ou
acabaria derretendo e indo embora pelo ralo.
Desliguei o chuveiro procurando pela minha toalha pendurada no box do
banheiro,
porem,
como de costume, deveria
estar
jogada em algum canto do banheiro e não pendurada onde
é o seu lugar. Olhei pra
fora do box, fiz uma panorâmica por todo o banheiro e, sem
ser novidade, não
havia levado a toalha para o
banheiro.
Pelo menos descobri o que estava faltando.
Sai do box, com um certo cuidado, e fui caminhando devagar
até o quarto pegar a
toalha que provavelmente está em um lugar bem
visível e mesmo assim o palerma
aqui esquece de pegar.
Na metade do caminho do banheiro a porta, já podia
vê-la branquinha e sorrindo
pra mim. Minha toalha. Está frio, eu acabo de sair de um
banho quente, estou
molhado e pelado, nunca desejei tanto uma toalha como agora. Peguei-a,
enrolei-a na cintura e entrei no closet para escolher alguma vestimenta
descente para a noite de caça, tenho que estar
apresentável para não sair de lá
sem uma vitima. Sem mais demoras, escolhi um jeans e uma camiseta de
algodão. A
demora mesmo foi pra escolher o que eu vestiria por cima para cobrir,
pelo
menos em parte, o vento frio que fazia lá fora.
Separei
três blazers para
experimentar em frente ao espelho e ver qual ficaria melhor.
- A mulher tem
o poder de esvaziar o
cérebro dos homens, domesticando-os –
falei após algum tempo em frente ao
espelho, experimentando e refletindo – Sou mais genial do que
pensava, acho que
irei patentear essa idéia, ou vende-la... O que der mais
retorno. – disse por
fim, escolhendo um blazer cinza de listras.
Pronto para pavonear, e prestes a sair, quando lembrei que faltava
algo. Um
pouco de Polo by Ralph Lauren ao meu aroma masculino, tudo para ajudar
na hora
de pavonear.
Peguei as chaves e documentos e saí.
- Oh céus, pavonear é o fim – falei
rindo comigo e de mim mesmo.
Chamei o elevador, este levou uma eternidade para descer até
o oitavo andar e
já estava me preparando para xingar aquele que estava
segurando-o no andar a
cima. Assim que as portas se abriram,
pensei que os portões do paraíso tivesse se
aberto bem diante dos meus olhos. Um belo corpo feminino coberto por um vestido
vermelho e usando belos saltos - algo que, particularmente, acho muito sexy.
Entrei no elevador com apenas um pensamento: que um meteoro atinja Manhattan
agora mesmo. Apenas alguns minutos com ela seria suficiente, tê-la sob minhas
mãos,meu controle... para me satisfazer por um tempo...
- Boa noite Sr. - sua voz despertou-me de meus pensamentos
- Hm... boa noite Srta...
- Smith - ela se apresentou rindo, o porquê eu realmente não sabia
- Smith? - perguntei realmente interessado em saber a origem desse nome
estranhamente familiar
- Sim. E se forçar mais um pouco acho que você lembra - os olhos dela eram
assustadoramente familiar. Como se eu já tivesse os observado algum dia
- Jennifer? Jenny Smith? - perguntei com um certo tom de duvida em minha voz
- Sim tio - respondeu rindo e dando ênfase ao tio
- Nossa...você ...você cresceu
- E o senhor cada vez mais bonito
- Obrigado. Mas pelo amor... Você não precisa mais me chamar de senhor e muito
menos de tio - supliquei. Sentindo-me um pedófilo com ela me chamando assim
quando segundos atrás desejava profundamente de que ela estivesse em minha cama
enquanto gemia meu nome
- Eu sei. Apenas força do habito - confessou rindo
- Voltaram a morar aqui? - perguntei interessado. Além de a família Smith ser
uma ótima companhia, teria alguém com quem me divertir de vez em quando
- Não definitivamente. Ficarei por algumas semanas, ou meses talvez... Resolver
algumas coisas
- Negócios da família?
- Exatamente
- Hmm, interessante
- Ser querer ser chata... Mas está indo a algum lugar especial? ...Arrumado
assim - completou brincando, provavelmente para esconder sua curiosidade. Hmm
muito bom.
- Não. Estava apenas indo encontrar alguns amigos
- Estava?
- Bom, estou considerando a idéia de não ir mais. Tudo depende
- Depende de que? – A porta se abriu já no térreo. Cumprimentei o Sr. e a
Sra.Lemisky que iam entrando no elevador enquanto saímos
- Se você vai querer jantar comigo – falei apoiando no balcão de recepção do
saguão
- Boa noite Mr. – saudou o porteiro
- Boa noite Robert. Peça para alguém tirar meu carro
- Sim senhor
- Obrigado – voltei a encarar Jenny. E confesso que tive que me segurar para não
rir da expressão de surpresa que estava estampada em seu rosto – Então?
- Honestamente, já sonhei com isso quando pequena – confessou rindo – Mas nunca
pensei que realmente aconteceria
- Então considere hoje seu dia de sorte
- Já considerei - sorriu sedutora. Pronto! Consegui o que queria sem mesmo sair
de casa. Não terei que agüentar musica ruim e nem bêbadas oferecidas para cima
de mim a noite toda. Não gosto de fazer nada com mulheres alteradas, já que elas
vêm sóbrias mesmo
- Senhor, seu carro está pronto lá fora
- Obrigado Robert - agradeci seguindo em direção a entrada - Vamos?
Seguimos para o
carro, que nos esperava de portas abertas. Literalmente. Ela foi entrando do
lado do passageiro enquanto eu dava a volta para entrar no lado do motorista,
onde o manobrista aguardava segurando a porta aberta para que eu pudesse entrar.
- Tenha uma boa noite senhor - desejou o manobrista, cujo o nome eu não tinha
idéia de qual era, e também não fazia questão de saber. Até porque eles trocam
os funcionários que aqui trabalham, assim como trocam os lençóis.
- Então, para onde quer ir? - perguntei assim que fechei a porta
- Não conheço muitos lugares por aqui - respondeu ela simplesmente
Se não conhecia muitos lugares, então não preciso levá-la a um restaurante muito
sofisticado. Ela nem notaria a diferença se eu a levasse ao Aquavit ou ao Café
Pierre. Então comecei a guiar em direção ao primeiro lugar que me veio a mente.
Não é lá dos melhores, porem é muito bom, e não é realmente caro. Não pretendo
gastar muito com Jenny Smith.
O caminho todo foi um silencio total, não tínhamos o que conversar. E conversar
não era realmente o que eu esperava para essa noite. Mas é exatamente o que
terei que fazer para que essa noite não termine aqui.
- Chegamos! - avisei assim que que avistei a fachada branca do Gramercy Tavern
Estacionei o carro e descemos. Como disse não era um dos melhores restaurantes
da cidade, nem manobrista esse lugar tinha. Mas era o suficiente.
- Boa noite - uma hostess realmente atraente nos saudou - Em qual nome está a
reserva?
- Não tive tempo de fazer as reservas. Mas creio que isso não ser um problema -
falei piscando, ela sorriu e olhou para os lados, checando
- Por aqui por favor - sabia que funcionaria, afinal quarenta anos de
pratica não foram a toa
Ela nos conduziu até uma mesa vazia para dois
- Fiquem a vontade...Irei chamar alguém para servi-los
- Obrigado - agradeci e ela se retirou
- É sempre tudo tão fácil assim pra você? - perguntou Jenny
- Nem sempre é assim... As vezes é mais fácil - falei fazendo-a rir
- Você não mudou nada
- Boa noite! Meu nome é Antonie e eu servirei vocês esta noite - o garçom se
apresentou interrompendo nossa conversa - Já estão prontos para pedir? -
perguntou entregando-nos os menu
- Enquanto vamos ver o que iremos pedir, você poderia me trazer a carta de
vinhos?
- Sim senhor! - respondeu e se retirou
- Garçom incompetente - resmunguei assim que ele saiu
- Me pareceu simpático
- Simpático? Além de nos interromper, o que já é imperdoável, ele ainda esqueceu
a carta de vinhos. Sabia que esse lugar não era dos melhores, mas não achei que
eles contratassem pessoas incompetentes aqui - fiquei me queixando enquanto
olhava o menu
-
Nossa, tá né. Isso é porque você esta acostumado com o melhor dos melhores.
Relaxa
- Obvio, não estudei e trabalhei duro para não ser, no mínimo, atendido
qualificadamente no restaurante - ela riu do meu ataque de estresse voltando-se
para o menu em suas mãos
- Aqui está senhor - o garçom, seja lá qual for seu nome, me entregou uma lista
de vinhos - Prontos para pedir?
- Sim! - Jenny respondeu simpaticamente, provavelmente prevendo uma reação
contraria minha - Vou querer Spinach
Salad e Grilled Sturgeon por favor
- E o senhor? - perguntou tentando ser atencioso, mas a única coisa que
conseguiu em troca foi um olhar nada amigável e uma resposta seca
- Vou querer Shrimp Salad e Rack of Lamb
- E o vinho?
- Eu já teria pedido se a carta estivesse vindo junto com o menu - respondi
grosso olhando a lista de vinhos - Preferência para algum? - perguntei a Jenny
- Bom, eu sei que com peixes o certo seria vinho branco seco, não? - perguntou
ao garçom
- Isso mesmo
- Ok, então uma taça de Chardonnay e uma de Cabernet Sauvignon, por enquanto -
pedi
- Sim senhor! Se precisarem de mais alguma coisa, meu nome é Antonie - se
apresentou mais uma vez e se retirou para os fundos do restaurante
- O que você estava dizendo antes de sermos interrompidos pelo garçonzinho?
- Não lembro - confessou rindo - Ah sim! Você não mudou nada
- Claro que mudei. Estou mais experiente, bonito e ganho melhor
- Melhor ainda? - brincou - Eu me refiro ao seu jeito com as mulheres. Você se
acha o pegador
- E sou - brinquei rindo
- É o que ainda parece. Te deu papo, acorda na manha seguinte em sua cama
- Como você sabia dessas coisas? Você tinha o quê? Uns onze anos
- Treze - me corrigiu - O suficiente para saber o que fazia fazia com as
mulheres que passavam o final de semana com você e sentir ciúmes
- Ciúmes? - perguntei incrédulo, ela tinha treze anos - Aah foi por isso então
que sua mãe não te levava mais em casa - conclui rindo
- Claro! Sempre tivemos um relacionamento aberto, sempre contei tudo pra ela.
Inclusive minhas fantasias com você. Então ela começou a me levar na
Sra.Lemisky. Minha mãe pensava que você abusava de mim - ela riu e eu fiquei
chocado por saber a imagem que a Sra.Smith tinha guardado de mim. Lembrete
mental: convidar a família Smith para um jantar, não posso deixar as pessoas
term uma imagem errada de mim, ainda mais tão errada como essa - Você consegue
imaginar isso? Hahahahaha quem me dera se isso fosse verdade - confessou rindo
- Céus você era precoce - falei ainda mais chocado por saber que a menina de
treze anos que eu cuidava em alguns finais de semana queria ter relações com um
cara que tinha e ainda tem idade para ser seu pai - Isso tudo é culpa da Tv e
dos concursos de beleza infantis. Fiz um estudo sobre isso e gostaria de fazer
algo sobre. As meninas nem tiveram a primeira menstruarão e já depilam e fazem
bronzeamento. Perdem toda a infância. Ridículo. Falo como pessoa e especialista
que trata a maioria dessas crianças quando chegam a adolescência todas
frustradas
- A culpa no meu caso, é toda sua
- Minha?
- Sim senhor, ou você acha que ver você de cueca pra lá e pra cá era normal?
Você era lindo, com corpo de modelo de cueca, desfilava com elas por ai e queria
que reação de uma menina na puberdade?
- Isso é errado - falei mais pra mim mesmo do que pra ela
- Então estamos os dois
- Não é sobre isso... Ou melhor, isso também. É que ... - fui interrompido pelo
meu celular vibrando em meu bolso. Era - Se importa? - perguntei me
referindo a ligação
- À vontade
- Com licença - pedi educadamente e me retirei até uma área onde eu poderia
atender sem incomodar ninguém. Banheiro
- Fala animal - atendi
- Educação manda lembranças - falou me fazendo rir - Onde você está?
- No
Gramercy Tavern
- Hm, não gosto daí. Que diabos esta fazendo no Gramercy Tavern quando deveria
estar no Avalon?
- Saindo com uma gostosa do meu prédio
- Caralho! Nem sai do prédio e já consegue mulher. Esse é meu amigo
- Pois é, mas ... sei lá
- Sei lá morreu, pode voltar a sua companhia, que provavelmente não deve estar
perto de você para que falasse desse jeito - ele concluiu rindo e me fazendo rir
junto
- Claro
- E agente sai uma outra noite, fique tranqüilo
- Aposto que se eu estivesse sozinho no meu apart você não iria responder assim
- Provavelmente acharia que você é viado. Mas enfim, já tomei muito do seu tempo
com sua mina. Adeus
- Adeus
Desliguei o telefone e me olhei no espelho. Ridículo. Parecia um daqueles velhos
tarados que não podem ver um rabo de saia que ficam todo excitado. Não sei onde
eu estava com a cabeça em chamar uma mulher - cuja a diferença de idade é o que?
Uns vinte anos - para jantar com o intuito de levá-la pra cama depois. Logo eu,
que sou o primeiro a criticar pessoas assim, acho errado e tudo mais. E ainda
mais com a Jenny, a garotinha que eu cuidava em alguns fins de semana, que
dormia comigo quando tinha medo. Não! Definitivamente isso ia contra os meus
princípios, e eu não iria ir mais longe do que já fui com isso.
Saí do banheiro já decidido e voltei pra mesa. Nem me sentei.
- Vamos - ordenei
- Vamos aonde? - ela perguntou sem saber o porquê da minha repentina mudança de
humor
- Embora
- Embora? - perguntou incrédula
- Ficou surda?
- Ha - riu nervosa - Não acredito - pegou sua bolsa e saiu puta da vida
Peguei minha carteira e atirei algumas notas na mesa que seria o suficiente para
pagar minha conta, gorjeta e quem sabe o salário do garçom de quinta. Andei até
o carro, onde ela espera que o mesmo fosse aberto para que pudesse entrar.
Apertei um dos botõezinhos do controle, assim que o fiz Jenny entrou no carro,
movimento que foi repetido por mim logo em seguida. Acelerei o carro em direção
ao meu prédio - o que era realmente bom, ela estava no mesmo prédio que eu, e
isso me poupava uns bons litros de gasolina.
- Isso é mesmo serio? - perguntou irritada após um longo período de silencio
- O que? Eu não te levar pra casa e te comer como uma qualquer? Algo que
qualquer cara sem moral faria? Desculpa te desapontar - falei irônico
- Qual o problema? Nos conhecemos a tanto tempo. E não era isso que você fazia
com todas as mulheres?
- Exatamente! A muito tempo. Desde quando você tinha onze e eu trinta
- E...?
- CARALHO JENNY! Você tem vinte anos. VINTE. Eu quase quarenta. Cuidava de você
dos onze aos quatorze, eu te vi crescer. Como você acha que eu vou me sentir? -
ela abaixou a cabeça, não respondeu - Isso é completamente errado. Como eu vou
poder me encarar no espelho novamente sabendo que comi a filhinha da Sra.Smith ?
Aquela que ia até minha cama no meio da noite quando tinha medo, a que me pedia
para tirar a borda do sanduiche de pasta de amendoim.
- Mas relacionamentos entre pessoas com idades diferente são completamente
normais - ela ainda tentava argumentar
- Desculpa isso, pra mim, é conversa pra disfarçar a cara de pau e a putaria. E
esse não é o ponto. A questão é que você além de vinte anos mais nova que
eu, eu cuidei de você na sua infância, além do seu sorriso estar exatamente o
mesmo de dez anos atrás - estacionei o carro em frente ao prédio. O manobrista
veio abrir minha porta - Quando olho você a única coisa que consigo ver é aquela
menina que me chamava de Tio - falei e sai do carro
- Boa Noite senhor - cumprimentou o manobrista. Não respondi, apenas fiz um sina
de "que seja". Não fazia questão de tratar bem pessoas aleatórias, acho que
Robert era o único que dirigia algumas palavras
- Assim que ela descer, guarde o carro - ordenei entregando as chaves, entrando
no prédio em seguida.
Capitulo dois
"Eu
sou o que sou. Afinal, alguém tinha que ser."
(Cruzada)
- Caralho! Foi com aquela mina do
14º andar que você saiu? - perguntou passando pela porta
- Nossa! Como meu circulo de amizade anda bom - falei saindo de dentro da
geladeira com duas garrafas de cerveja na mão, ao invés de uma só pra mim
- E então? Ela é boa? - perguntou interessado se esparramando no meu
sofá, enquanto só me restava uma das poltronas ou o chão para me sentar
- Não - respondi simplesmente, dando um gole em minha cerveja
- Como assim não? Gostosa daquele jeito? - interrogou imitando meu gesto - É um
desperdício - concluiu
- Mas é um bocózão mesmo. Não de: Não, eu não tranzei com ela
- Como não? Por que não? - inquiriu indignado - Meu deus, você broxou - concluiu
- Céus meu amigo é broxa
- Cala a boca zé. Se você me deixar falar vai entender
- Desculpa, pode falar - me levantei e fui até meu quarto. Procurar uma caixa
que eu guardava dentro do closet com alguns álbuns dentro. Enquanto procurava
pude ouvir a voz de ecoando pelo corredor, confusa - Você me pede pra deixar
você falar e vai embora? Vai entender - achei o álbum que estava procurando,
retirei a foto que desejava e voltei para o meu lugar
- Lembra da Jenny? - perguntei, prevendo já um não, mostrando a foto. Nela,
estávamos eu, Ângela - que na época era uma amiga - ,, Jenny e seus
pais
- Agora que você me mostrou, sim
- Aquela mina do 14º é esse menina sem peitinhos da foto
- Serio? Nossa ela ficou boa hein? E agora tem peitos. E que peitos
- Poe boa nisso, mas ela ainda tem o mesmo olhar e, principalmente, o sorriso
- Ok, agora qual o motivo de você não ter comido ela?
- Você é doente? Como eu vou comer a menina?
- Você não vai querer realmente que eu te explique, vai?
- Céus ! Você é doente, como eu poderia tentar alguma coisa sendo que eu vi
ela crescer, cuidei dela cara
- E dai? Ela cresceu e pronto! Não tem que pensar em nada mais que isso
- Isso é ridiculamente errado - me exaltei - É por pensamento de pessoas como
você que o mundo virou esse antro de promiscuidade
- Nossa, obrigado pela parte que me toca. Também não é assim né . É
simplesmente que eu não vejo nada de mais em você sair com ela. Já que ela é de
maior e vacinada
- Pra mim, tem tudo de mais. Vai contra os meus princípios
- Ok, não está mais aqui quem falou. Não vou brigar, pois vim aqui, depois de
tanto tempo, fazer você ligar para a sua acompanhante
- Sem chance. Vocês me deram de presente, e agora falta uns quatro meses para
isso. Fora que eu sou grandinho e tenho charme, dinheiro e sexy appeal o
suficiente para conseguir um encontro sozinho. Não preciso de ajuda
- Vejo que andou treinando seu marketing pessoal. Mas enfim, nós não gastamos
dinheiro, que não foi pouco devo acrescentar, a toa, portanto você vai sim -
falou em um tom autoritário. Como se eu fosse fazer o que ele manda. HÁ
- Eu faço se eu quiser. Sou maior de idade, vacinado e minha renda liquida é
maior que a sua
- Está de TPM hoje é?
- Não. TPM é coisa de mulher e viadinho. Agora se você não se importa, vou fazer
minha agenda de pacientes para a semana que vem
- Ok, não precisa pedir pra que eu fique - disse deixando a garrafa, agora
vazia, em cima da mesa de centro. Folgado. Esse deveria ser o nome de , já
que essa é sua especialidade. Eu trouxe a garrafa cheia e geladinha pra ele, ele
além de devolver quente e com parte de seu DNA na boca da garrafa, ele ainda
devolve no lugar errado. Nem pra levar na cozinha esse bocó presta - Já estou
indo, sabe... Tenho coisas a fazer assim como você vai fazer sua agenda. Como
assim fazer sua agenda?? Os pacientes não marcam um horário e pronto?
- Não - respondi obvio - Eles marcam, mas eu escolho se quero atender ou não
- Ah sim, queria um trabalho assim - confessou indo em direção a porta
- Ah qual é? Você é um empresário de sucesso, ganha bem pra cacete e ainda tem
muitas mulheres, e as vezes até varias ao mesmo tempo - falei rindo - Quer mais
o que?
- Fazer meu horário e minha vida estaria perfeita - ele riu
- Fazer o horário não é para aqueles que querem... - eu o acompanhei até a porta
- ...É para aqueles que podem - conclui arqueando a sobrancelha
- Isso aí. Humilha. Assim que receber minha promoção irei esfregar minha
remuneração em sua cara - disse saindo do meu apart
- Vai sonhando - respondi e fechei a porta
Paz. Era isso sempre o que eu precisava apos cada conversa com .
Principalmente agora, estava cheio de trabalho para fazer. Analisar alguns
exames, textos e desenhos de uns sete pacientes, fora fazer minha agenda para a
semana que vem. Passei na
cozinha pegar algo para comer, pratico e que não corresse o risco de
derrubar nas minhas coisas. Parei na frente dos armários, pensando no que comer
para então procurar, mas nenhuma luz passou pela minha cabeça. Resolvi então
abrir armário por armário. Cereal, salgadinhos, biscoitos... Nada realmente
atrativo. É nessas horas que é bom ter uma mulher. Elas me dão dor de cabeça?
Sim, com toda certeza. Mas pelo menos teria um bolo, uns biscoitos e sexo sem
precisar sair de casa. Mas os biscoitinhos não podem faltar. Com gotas de
chocolate. Não que eu não soubesse cozinhar, obviamente eu sei. Moro sozinho,
tenho que saber, além de ser um atrativo para mulheres. Mas cansa. Realmente
levei em consideração a idéia de fazer algo nutritivo para comer. Contudo, a
preguiça e a falta de tempo, me fizeram pegar o resto do café que fiz pela manhã,
despejá-lo em uma caneca e esquentar no microondas. Enquanto esquentava fui até o
armário pegar algumas torradas. Ótima saída para quando estiver tudo perdido,
devo acrescentar, por isso sempre tenha um pacote de torradas no armário e um
pote de manteiga de amendoim na geladeira. Pensava enquanto pegava o mesmo na
geladeira. Estava tudo numa boa, eu passando a manteiga nas torradas, até que
quase me cortei com a faca de passar manteiga quando um estrondo e vários
barulhinhos em seguida invadiram a cozinha, em seguida o cheiro de queimado.
Tudo isso vindo do microondas.
- PUTA MERDA - xinguei e sai correndo desligar o microondas da tomada. Esperei
um tempo e abri. Uma nuvem de fumaça invadiu a cozinha. E por um milagre não
acionou o alarme de incêndio. Seria vergonhoso os bombeiros aparecerem na casa
de um cara de quarenta anos que não sabe nem que a porra da caneca não pode ir
para o microondas.
Depois dessa, mandei tudo pra puta que pariu, coloquei uma camiseta qualquer e
desci pro bar do hotel. Do jeito que eu estava mesmo. Camiseta, calça de moletom
e chinelos. Não estava nem ai, a maior parte do dinheiro desse hotel vinha de
minha pessoa de qualquer maneira, eles não podem e não irão reclamar.
Peguei o elevador, que não demorou muito pra descer, por algum milagre do
destino. Mas as pessoas mesmo assim ficavam olhando. E paradas em demasia não
estava ajudando em nada meu à manter meu bom humor.
- Que foi Sras.? - perguntei as três senhoras fofoqueiras que estavam me
observando como se eu fosse algo de outro planeta. Devo ser. Algo tão belo como
eu, não deve ser da mesma espécie - Nunca viram? - perguntei referindo-me a um
ser sexy em trajes casuais - Não, acho que não.
- Você mora aqui? - uma delas perguntou em duvida, devido aos trajes em um
hotel de luxo como Helmsley Park Lane
- Sem casualidades, por favor. Dr. , 12º andar- a
porta do elevador se abriu e eu sai indo em direção ao bar e me sentei em um dos
vários banquinhos, todos vazios, em uma, quase, noite de terça.
- Boa noite Sr.
- Terry - o adverti - Ou você prefere Terence? - perguntei sabendo que ele não
gostava de seu nome. Era o único amigo com um poder aquisitivo baixo com o qual
eu tinha contato
- Estou trabalhando
- Tudo bem então. Whisky duplo com gelo, um copo bem limpo e rápido ... - fingi
ler seu crachá - Terence - ele riu
- Esqueci como você trata os inferiores a você. Que tal me chamar de Terry hãn?
- brincou
- Esse é meu garoto - sorri - Agora meu whisky por favor ou sou capaz de matar
um
- Pode deixar - ele pegou o copo,colocou duas pedras de gelo e voltou com ele e
uma garrafa - Aqui! Copo limpo - me mostrou rindo - ... E suas duas... doses -
falou enquanto me servia
- Obrigado - agradeci dando um gole consideravelmente grande
- Dia ruim? - perguntou enquanto limpava outros copos
- Nada que um bom whisky não resolva - outro gole - Mas sim, foi...
relativamente ruim. Quase coloquei fogo em meu apart
- Por que? - perguntou espantado
- Longa historia. Resumidamente: não sabia que canecas de porcelana não podiam
ir no microondas... Então ele quase explodiu. Estou com fome, trabalho atrasado
e ficarei bêbado. Qualquer coisa você me ajuda né colega? - perguntei rindo
- Mais uma vez
- É a vida - terminei a dose
E assim seguiu até... eu perder a conta de quantas doses havia tomado e ficar
falando merda atrás de merda para meu amigo do outro lado do balcão.
- Não reclamo de minha vida. Ela é perfeita - falei mole, segurando o copo, que
já fora enchido algumas muitas vezes, e apontando para Terry
- Se ela fosse perfeita você não estaria aqui reclamando e bebendo feito um
gambá, quando poderia estar se divertindo com amigos ou com sua mulher, se
tivesse
- Não te dei... não... eu não te dei esse direito de analisar minha vida... Eu é
quem faz ... isso
- Então pare e faça uma analise dela
- Não recebo ordens... de um garçom... garçom não...de um...de um... De um
barmanzinho de quinta
- Ótimo - respondeu ríspido - O senhor vai pagar agora ou posso colocar no
numero do quarto?
- O de sempre - tentei me levantar, mas quase cai. Me apoiei no balcão - Boa
noite... Eu ... disse Boa Noite
- Boa Noite - disse irônico
- Ah me desculpa... Terrii ... Eu... gosto.. tanto de você coleguinha - tentei
abraçá-lo do outro lado do balcão - Me... da mais ... um whisky
Acordei em minha
cama, com a mesma roupa da noite anterior, somado a uma dor de cabeça
incrível e uma fome terrível. Abri os olhos e a claridade quase queimou meus
olhos, me deixando cego por alguns minutos. O clarão era tanto, que por um
momento pensei estar vendo a luz. Algo realmente estranho estava acontecendo
comigo. Eu estava com bom humor pela manhã. Uma coisa rara de se ver. Assim que
meus olhos se acostumaram com a luz e olhei para o lado para ver as horas.
- CARALHO! - tentei levantar correndo, mas tudo que consegui foi enroscar o pé
no edredom e cair no chão - Uma da tarde já? Céus perdi o horário de dois
pacientes - levantei correndo procurando meu smartphone. Estava em cima de um
dos sofazinhos. Disquei rapidamente e não demorou para que me atendesse
- Chloe?
- Sim - minha secretaria atendeu
- Quero que cancele todos os pacientes de hoje
- Mas senhor...
- Sem mas - a interrompi - Isto é uma ordem. Mesmo que meus atos e minha vida
não lhe diz respeito e não te dou satisfações e sim ordens, não estou em
condições de atender ninguém hoje
- Ok
- Desmarque todos de hoje e de amanhã, e diga que você retornará a partir de
amanha para remarcar e confirmar as consultas
- Sim Senhor
- Estamos entendidos?
- Sim
- Tenha um bom dia - desejei superficialmente e desliguei
n.a:
Me desculpem pela demora,e por ter postado só isso. Mas
realmente não deu
pra fazer mais que isso,estou sem meu editor de HTML ,vou providencia
isso hoje,
e até o fim da semana postarei mais
topico